Mundos Invisíveis

Existem outros mundos além desse no qual habitamos? Existem outros planos nos quais consciências humanas ou de outras categorias, possam existir e atuar? Se tomarmos a realidade como constituída de camadas energéticas desde o Macro ao Microcosmo, veremos que sim, existem muitos mundos que dão suporte à consciência, encarnada ou não. A ciência já comprovou a existência de mundos dentro de mundos, desde a esfera do Universo aos órgãos, moléculas e células que compõem o corpo humano e aos átomos, que compõem tudo o que existe. O conceito de universos paralelos, múltiplas dimensões e realidades, sempre despertaram visões de outros mundos , inspiraram lendas, contos de fada, sagas e epopeias. As principais religiões do mundo consideram a perspectiva de outros planos de existência e admitem a possibilidade de intercâmbio, consciente ou não, entre os seres humanos e os seres que habitam esses outros mundos, sejam esses denominados anjos, devas, hierarquias celestes, deuses, Elohim, semideuses, jhinas, orixás, santos, profetas, mentores ou guias.

Em geral, a mediação “entre mundos” é realizada através de alguns seres humanos com designações especiais que assumem o papel de “construtores de  pontes”. Estas “pontes humanas” são os sacerdotes e sacerdotisas, lamas, pajés, xamãs, mestres, pontífices, médiuns, feiticeiros, magistas, pais de santo ou pastores. Todos aqueles que, de alguma forma se conectam a esses planos e trazem de lá as “notícias” , mensagens e orientações, seja em forma de profecias, visões, canalizações, sintonização ou incorporação. Mas, independente  de contarem ou não com essas “pontes”, os seres dessas outras dimensões estão lá, em suas existências, cumprindo seu próprio plano evolutivo e orientando os seres humanos na tarefa de evolução. 

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Roso de Luna, místico europeu do séc.XIX, usou o termo “jhinas” para designar esses seres que habitam dimensões superiores à da terra, quer sejam mestres, anjos, guardiões ou guias. Desenvolveu intensas pesquisas sobre a natureza dos “jhinas”, revelando seus resultados em duas importantes obras: “O livro que mata a morte” (Edt.Tres, 1973) e “Das gentes do outro mundo”. Neste último afirma a “existência de uma supra humanidade, humanidade planetária ou solar”, não meramente terrestre como a nossa. Segundo ele, esta supra humanidade “vive ao nosso lado sem que de ordinário possamos percebe-la.”

De acordo com suas conclusões, o mundo dos “jhinas” situa-se em dimensões paralelas e transcendentes em relação ao universo físico, mas,  mantém com este um contato especial. A terra, como entidade física, vivente e pulsante, possui seus próprios pontos de força, chacras e lugares sagrados. Cidades e alguns sítios especiais são exaltados como santos desde tempos remotos.  Stonehenge; as pirâmides do Egito e do México, o Monte Shasta, o Monte Merú, o Lago Titicaca, a Pedra da Gávea, o deserto de Gobi; o Monte Himalaia; o santuário de Fátima e a serra do Roncador. Muitos destes lugares são considerados portais para o mundo dos jhinas.

Melquisedeque, instrutor de Abrahão e ,consequentemente, das religiões judaica e islâmica, foi o primeiro jhina do qual se tem conhecimento por meio da Bíblia. No Livro Sagrado é referendado como um ser misterioso, “sem origem e sem genealogia”. Um ser que sempre existiu e que, segundo se acredita, permanece vivo eternamente. Nos remotos templos bíblicos aos quais nos referimos, Melquisedeque era conhecido como Rei de Salém, cidade sagrada, também jhina no sentido de portal entre mundos, sempre eterna e oculta. A localização de Salém era desconhecida, mesmo naquela época. Sua geografia é descrita na Bíblia como fantástica e maravilhosa. É a terra onde jorra leite e mel, onde as areias são claras como a neve e as fontes correm sem fim, alimentando eternos oásis.

A Bíblia é rica em episódios sobre os Jhinas como o da expulsão de Agar e Ismael para o deserto, por exemplo. Agar era a escrava que coabitou com Abrahão para dar-lhe um filho quando Sara ainda era estéril. Dessa união nasceu Ismael, que foi amado por Abrahão. Mas, em seguida, Sarah foi abençoada com a maternidade e deu a luz a Isaac. Sentindo que a presença de Ismael ameaçava o lugar de seu filho, conta a Bíblia que Sarah convenceu Abrahão a expulsar a escrava e o menino. Os dois vagaram pelo deserto por longos dias, até que Agar se viu em desespero por não poder matar a sede e a fome de Ismael. Estavam no fim de suas forças quando de uma “gruta” surgiu “um anjo do Senhor”. Este logo bateu em uma pedra fazendo jorrar um líquido que saciou a sede de ambos. O anjo também deu-lhes de comer o “maná do deserto”, alimento “jhina” suficiente para nutrir seus organismos por um grande período até que se encontrassem a salvo. Este mesmo ser, descrito na Bíblia como um “anjo, mensageiro do Senhor”, aquietou a alma de Agar, assegurando-lhe que o filho sobreviveria e se tornaria o pai de uma nação.

Alguns elementos são comuns às histórias que se pode associar aos jhinas. Seu surgimento é sempre envolto em mistério e sempre há uma missão ou mensagem a qual devem dar prosseguimento; em geral há cavernas ou grutas próximas as suas aparições; sempre têm em mãos instrumentos ou dons que parecem maravilhosos e fantásticos aos demais seres humanos; normalmente estão de passagem, nunca permanecem por muito tempo no mesmo lugar; sua aparição vem acompanhada de sons e odores suaves e misteriosos; têm aparência jovem e são envoltos por uma luz natural que faz com que sejam confundidos com “anjos” ou “devas”.

Todas as religiões do mundo, mesmo as pagãs e xamânicas, relatam o surgimento desses seres e o apoio que eles oferecem em situações de perigo ou de grandes catástrofes. Em muitos dos lugares onde ocorreram a passagem desses seres, foi mantido algo de seu magnetismo, uma força não deteriorada pelo tempo e que pode ser sentida até os dias de hoje. Por isso considerados locais sagrados, como o Santuário da Fátima, o Caminho de Santiago, Monte Shasta entre outros.

Há também relatos de portais que ligam nosso mundo com o Mundo dos Jhinas. Ainda que a maioria desses portais se encontrem em montanhas, grutas e cavernas bem protegidos da curiosidade humana, existem outros que aparentemente parecem mais acessíveis, embora também sejam protegidos. É o caso do Palácio de Potala, que foi, outrora, a residência do Dalai Lama, no Tibet. Dizem que, por trás do trono do Dalai Lama existe uma Porta Vermelha, que faz a ligação do Palácio com Shamballa, lendária terra dos jhinas no Oriente. Dizem também que é por ali, através de uma rede túneis subterrâneos, que os sacerdotes tibetanos conseguiram escapar durante a invasão chinesa.

As histórias e registros sobre os “jhinas” são muito intrigantes e mais comuns do que pensamos. Existem milhares delas que incluem referências também a lugares “jhinas” ligados por uma rede que se espalha por todo o planeta. Há lugares preservados em bolhas do tempo, como Shangri-la, Avalon, Telos, a Montanha de Káf entre outros.  A literatura  fantástica explora  esses temas com muita criatividade, possibilitando seu resgate na memória coletiva. Podemos encontrá-los em obras como “Senhor dos Anéis“; “As Brumas de Avalon“; “As viagens de Marco Polo“; “Muito Além do Fim do Mundo” e muitos outros. 

Karma Yeshe Drolma

Referências:

Roso de Luna – O Livro que mata a morte – Edt Três

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